sábado, 6 de agosto de 2011

Religiões do Sri Lanka - parte 2

O Sri Lanka foi considerado, em 2008, o 3º país mais religioso do mundo, cerca de 99 % é seguidora de algum culto/religião.

Falando em %, cerca de 70% é seguidora do budismo, 15 % seguidora do hinduísmo, 7,5 % do cristianismo e 7,5 % do islamismo.

Eu antes de vir para o Sri Lanka pensava que este país devido à proximidade da Índia seria um pais maioritariamente hinduísta mas depois de ler um pouco, depois de já cá estar reparei que o budismo é a grande religião da ilha e tudo por questões históricas.

O budismo de cá segue a escola de Theravada e foi introduzido no séc. 2 AC por Mahinda, filha do imperador Ashoka.

Esta escola é das mais antigas escolas do budismo e tem uma visão muito conservadora. É a religião predominante do Sri Lanka e dos países do sudeste asiático.

Vê-se muitos templos pela estrada e muitos monges, lembro-me que no dia que fui tratar do visto estavam perto de 20 monges mas um pouco alternativos pois já tinham telemóvel e um deles até 1 iphone...

Todos os meses há o "Poya day", acho que é assim, que é o dia que chega a lua cheia, é feriado por cá, todos vão para a praia ver a lua a nascer.

É uma religião que tem muitos seguidores mas ainda não percebi bem como é a pratica deles...

Um templo budista na estrada para Colombo
O hinduísmo era a religião predominante antes da chegada do budismo. São quase todos tamils e alguns são provenientes da Índia, Paquistão, etc. Eles estão mais concentrados na parte norte e este da ilha, onde me encontro.

São seguidores de Shaiva Siddhanta, a mais antiga escola hindu existente. As divindades mais vistas por cá são Visnhu, Shiva, Brahma, Skanda e Ganesha.

Porém a maioria segue o chamado hinduísmo popular, sem a bagagem da escola filosófica do pensamento.  Eles geralmente adoram uma vila, clã ou divindade tribal, dentro ou fora do panteão das divindades hindus .Algumas divindades locais são Kannaki , Mariamman , Draupadi , Ayyanar , Vairavar e adoram no templo  ou em espaço aberto.
Templo Hindu de Trincomalee

A guerra civil que aconteceu até 2009 também pode ser vista como religiosa pois por um lado os budistas, o governo, diziam que toda a terra pertencia aos budistas, os tamils, os hinduístas, diziam que a parte norte e leste era deles por questões históricas daí os focos da guerra terem sido mais vistos por estes lados, era por aqui que se encontravam os “tigres tamil” que ouvimos falar em Portugal lá de vez em quando. Com a morte do principal general dos tigres tamil a guerra acabou e a religião oficial passou a ser o budismo apesar da maioria da população da parte norte e leste ser tamil…

Se isto vai algum dia ficar resolvido? Penso que não, o que interessa é que consigam viver 1 com os outros e que não seja preciso recorrer, outra vez, à guerra civil para resolverem os problemas “geográficos”, acho que a solução pensada era um pouco à imagem do que encontramos na Irlanda com as 2 Irlandas mas aqui seria budismo e hinduísmo.

O catolicismo por cá teve a mão dos portugueses que cá chegaram em 1605. Ainda hoje os católicos convertidos adoptam nomes portugueses pois consideram que ter o nome português é sinonimo de ser católico, é ver muito Fernando, Perera, Gomes, Dias, todos eles cingaleses mas com nomes portugueses. A grande maioria dos católicos são da igreja romana, os restantes são metodistas e as “novas igrejas” também já existem por cá como os Pentecostais, os Jeovás, a Assembleia de Deus mas ainda é menor nº.

Aqui como nos outros lugares, houve uma pressão enorme dos portugueses para a conversão e muitos não tinham opção senão converter.

Depois dos portugueses vieram os holandeses, expulsaram todas as ordens católicas que se encontravam cá e tentaram introduzir as suas igrejas mas com o passar dos anos até à actualidade penso que a igreja católica romana sem dúvida conseguiu manter-se com mais força, após a saída dos holandeses chegaram os ingleses e mesmo eles sendo protestantes não viam com tanta maldade a chegada de membros da igreja católica romana na ilha, foi assim que foi reforçada com a chegada de 2 missionários goeses por estas bandas.

Um facto a saliantar é que aqui quando se pergunta qual é a religião, pergunta-se se és “roman catholic”, em Portugal não fazemos essa diferença, ou pelo menos, nunca me perguntaram assim.

A comunidade com quem trabalho, os burghers são todos católicos e juntamente com alguns tamils convertidos posso dizer que este povo é dos mais devotos que já vi, basta ver a quantidade de pessoas que vão à missa e a forma como estão na missa, como rezam, é mesmo muito interessante ver isso. Eu se tivesse tempo e dinheiro viria para cá e estudaria apenas o impacto da religião nesta comunidade e como é que se manteve a igreja católica entre eles sendo muitos deles descendentes de holandeses e ingleses.
Saint Mary Church - Batticaloa

E por fim temos os muçulmanos, que num dos distritos que dou aulas (Ampara) é a religião predominante. Estes estão divididos em 3 grupos étnicos: os muçulmanos, os muçulmanos indianos e os malaios.

Eles aqui também têm como principal profissão o comercio, é ver loja sim, loja sim com nomes árabes e os homens com grandes barbas sentados à porta, as mulheres com burka, algumas burkas diferentes das que vemos na televisão, tenho que 1 dia perguntar o porquê da diferença.

A maioria é sunita mas nos últimos tempos têm chegados os xiitas principalmente os oriundos da Índia e do Paquistão.
Mesquita em Kalmunnai ( Distrito de Ampara) - saquei da net porque não tinha nenhuma

Podia falar muito mais de cada religião mas assim dou uma visão geral das religiões cá da ilha.  

Se precisarem de mais detalhes é só dizer que tento saber 1 pouco mais!

Bom domingo!

12 comentários:

Martini Bianco disse...

Espectacular! Adorei ler esse teu relato sobre as religiões do Sri Lanka. Eu também tinha a ideia que era um país maioritariamente hindu, devido aos Sri Lankenses serem parecidos com os indianos, mas enganei-me.

Gostei de saber a origem do catolicismo no Sri Lanka (eu soube da história dos portughese burgers) há uns anos em londres, quando trabalhei com um sri lankense que tinha nome português apesar de ser "inidio" e me falou nisso.

As fotos são tuas?

Bom domingo!

L.O.L. disse...

O grande escritor Arthur C. Clarke viveu metade da sua vida no Sri Lanka.

Novo desafio musical no meu blog:

http://ocantinhodomestre.blogspot.com/2011/08/desafio-musical-n-8.html

M.J. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
M.J. disse...

Martini: obrigado pelo elogio =)

As fotos são minhas menos a última! O que tenho mesmo pena é ter 1 máquina de m*r*a cá, a bateria mal aguenta 1 dia, a imagem não é das melhores, vou ter que voltar cá de férias para tirar tudo de novo, há pormenores que mereciam outro destaque!

E em relação a uma pessoa do Sri Lanka, ainda não sei bem como é em português, será Sri Lankense ou Sri Lankes?

L.O.L: Li um pouco da vida dele agora pela internet, conhecia o nome e pouco mais.
A passagem por cá não foi assim tão fácil, desde a homossexualidade, a acusação de pedofilia mas isso não interferiu na sua vida e obra que foi enorme, basta ver os prémios que ganhou, as obras que escreveu, entre outras coisas que fez.

Vou tentar ver se continuo a acertar no desafio =)

Utena disse...

De facto é uma fonte de inspiração para quem é apaixonada pelas diferentes religiões e as suas repercussões na humanidade estes teus textos.
Mas que isso é delicioso ver que com tantas religiões diferentes todos se respeitam e se entendem...
Deveria ser assim sempre
Beijinho

M.J. disse...

Utena: Eles actualmente estão-se a respeitar mas só muito recentemente... Eu não vi nenhum conflito entre religiões por cá, cada 1 no seu espaço, não interferem na vida dos outros e está bem para todos.

Eu apesar de ter a minha religião e ser praticante sou um curioso de todas as religiões, gosto mesmo de ver o impacto que cada 1 delas tem na vida das pessoas, o que as movem, o que as faz ter fé, essas coisas...

Sou ainda 1 "sonhador" onde acredito que é possível a convivência entre todos!

bjs

FireHead disse...

Eu tive fases. Nasci católico praticante, mas com o passar do tempo - adolescência e tal - deixei perder a Fé, questionei a doutrina cristã e passei pela descrença e pelo agnosticismo. Depois, para piorar ainda mais as coisas, pus-me a estudar as outras «religiões» tornando-me um autêntico ecuménico e abraçando as diversas filosofias religiosas, acreditando piamente que todas elas eram iguais em essência e que eram todas válidas. Mais tarde aderi à Gnose com todo este movimento neopagão que existe na actualidade - a New Age - e inconscientemente nem me apercebia que estava apenas a afastar-me cada vez mais da Verdade e a meter-me em filosofias que roçam a fantasia pura.
Um dia, numa saída com uns ex-colegas do segundo curso que eu tirei, tive uma conversa deste teor com uma senhora católica já dos seus 40 anos. Falei-lhe que me interessava pelas «religiões» e que queria era saber mais e mais acerca de cada uma delas, tal como, aliás, aqui a nossa amiga Utena. Foi então que esta minha amiga quarentona, professora, me disse uma coisa em jeito de repto que mudou toda a minha vida. «Antes de quereres saber das outras religiões, procura conhecer melhor a tua», disse-me. Foi o ponto de viragem.
Os homens que compõem a Santa Igreja são pecadores iguais a nós e cometem os seus erros. Importa, porém, é que a Igreja é divina desde a sua criação, tem a assistência infalível prometida por Cristo até ao fim dos tempos e é eterna. Os homens perecem, mas a Igreja permanece.
Acredito que a coexistência religiosa pacífica aí do Sri Lanka só é possível porquanto os muçulmanos são uma minoria perfeitamente controlada. Se o país fosse de maioria islâmica não tenham a mais pequena dúvida que as perseguições seriam uma realidade, pois é essa a política islâmica da concretização da «Umah».
M.J., de facto és um sonhador nato neste aspecto. É certo que o sonho comanda a vida... mas a vida não é um sonho. Como tal, a palavra-chave é a perserverança na Fé de Cristo nos actuais e difíceis tempos de tribulação. São Lucas perguntou no seu Evangelho «Quando vier o Filho do Homem acaso achará Fé sobre a terra?» e a gradual diminuição do número de católicos do mundo, seja por causa do martírio ou por abandono da Fé, só vem, entre outras coisas, simplesmente corroborar com o cumprimento das profecias.

Um abraço.

PS. Aqui em Portugal ninguém nos pergunta se somos católicos romanos porque muitos não sabem que nem todos os católicos são romanos, ou seja, do rito latino. No Ocidente a grande maioria dos católicos são romanos (cerca de 90% de todos os católicos do mundo são romanos), mas existem também católicos arménios, católicos gregos, católicos maronitas, católicos melquitas, católicos siríacos, etc. que estão igualmente em comunhão com o Papa mas que conservam os seus próprios ritos. Por isso que não deixa de ser um erro crasso quando as pessoas referem-se a todos os católicos do mundo como sendo membros da Igreja Católica Apostólica Romana.

M.J. disse...

FireHead: obrigado pelo comment, dá para ver que és um grande "especialista" neste campo e sabes defender bem a tua religião e a tua fé, tomara muitos dos ditos teólogos terem esses conhecimentos...

Eu talvez por andar neste mundo de missão, de voluntariado faz-me ainda sonhar apesar de ver muitas coisas más por aí, alguns trabalhos de ongds, alguns religiosos mas tal como tu dizes são todos humanos e também têm os seus erros e pecados, quem é que não os tem?

A vida claramente que não é 1 sonho e tenho a plena consciência disso, também vivo essa vida, mas talvez faça parte daquela minoria que acredita se todos fizermos 1 pouco pelos outros poderá desencadear uma grande corrente e conseguiremos viver todos juntos... é um sonho, eu sei mas é isso que me move, estar ao serviço e entrega ao próximo mas sem nunca me esquecer também de mim porque se não formos nós próprios a olharmos e a cuidar-nos de nós, quem fará? Não podemos nem devemos esperar que os outros façam por nós...

Grande filosofia estou eu aqui a vender =)

grande abraço e fica combinado como disse ao Martini quando chegar vamos lá ao "Yam Cha" em Oeiras, tem lá pratos da terra, minha irmã foi lá e gostou!

FireHead disse...

Eu conheço esse Yam Cha em Oeiras, mas talvez possam antes ir ao meu ex-restaurante comer (www.lilau.com.sapo.pt).

Abraço.

PS. Eu, especialista? À pala disso já me acusaram de ser um católico fundamentalista e intolerante para com os que pensam de maneira diferente. Enfim, se nem próprio Cristo agradou a todos, eu iria agradar?

M.J. disse...

Firehead: Vamos aos 2 que é para o Martini ver o que é a comida de Macau =)

Tu tens a tua opinião e defendes tal como os outros defendem a sua, as pessoas que não gostam de ouvir a tua opinião têm bom remédio...

Há coisas que escreves que não sou da mesma opinião mas aceito porque é 1 opinião, é a tua e ninguém tem que julgar, e tens 1 coisa boa que falta a muita gente, sabes defender às tuas opiniões.

Não se consegue mesmo agradar a todos!

abraço

Catarina disse...

Aprendi um pouco mais sobre as religiões ocidentais, e também sobre a minha própria religião... Também tenho de agradecer ao Firehead por isso :)
Muito bom, texto e fotos, obrigado por isto M.J.!

M.J. disse...

Catarina: será que fizeste de propósito? voltaste a escrever religiões ocidentais... é o nosso trocadilho =)

O Firehead deu também o seu contributo, tenho que o agradecer, já o fiz!

Mais textos virão sobre religião, amanhã vou até Kandy ver um festival budista, talvez depois me debruce sobre o tema, tenho alguns pendentes mas como acho que escrever mais que um post por dia pode tornar-se chato, vou acumulando para os dias sem nada para contar =) bjs